Antropología
"A imaginação é a fonte mais rica da criatividade humana." Harvey Cox
"O problema da liberdade adquiriu uma nova dimensão no pensamento cristão, para o qual o destino não existe, tendo cedido lugar a um Deus, Pai providente e amoroso. Para os gregos, a natureza e a história estão acima de homem; para o cristianismo, a natureza e a história estão a serviço do homem." (Rampazzo, Lino. Antropologia Religiões e valores cristãos (Paulus, 2014), 38.
"No período contemporâneo, o fenômeno da socialização e das suas consequências leva a considerar a liberdade sobretudo ponto de vista social. O problema hoje é: de que forma se pode ainda ser livre na sociedade atual, na qual os sistemas políticos, os instrumentos de comunicação, os produtos da tecnologia tornaram-se meios potentes de opressão? Em outros termos, o problema hoje consiste em encontrar formas de conciliar o progresso com a liberdade" (Rampazzo, Lino. Antropologia Religiões e valores cristãos (Paulus, 2014), 39.
"A liberdade humana não é absoluta, total, mas condicionada. Assim, o homem tem de aceitar a si mesmo com um corpo, com um sexo determinado e com características que, necessariamente fazem parte do "ser homem". Não pode ser livre para ter o corpo ou não; não pode substrair-se a certa dependência do mundo, da sociedade e da história. O homem depende da cultura na qual vive. Ele não está livre para usar a linguagem a seu bel-prazer, mas, para comunicar-se com os outros, deve falar a língua daquela cultura na qual vive." Rampazzo, Lino. Antropologia Religiões e valores cristãos (Paulus, 2014), 39.
"A liberdade humana, enfim, está condicionada pelas paixões, pela afetividade. As paixões correspondem a um desejo intenso que toma conta da pessoa, ao ponto de a razão encontrar dificuldade em dominá-las. Entre as paixões mais fortes, lembramos o desejo do prazer, de conquista e de amor. Destas, a paixão domador tem um papel fundamental. Prova disso é também o fato de que a maioria dos pensadores, refletindo sobre a realidade do homem, destacou a Importância extraordinária do amor." Rampazzo, Lino. Antropologia Religiões e valores cristãos (Paulus, 2014), 40.
"A palavra linguagem indica todo o sistema de signos que possa servir como meio de comunicação. À linguagem expressa intenções, ideias, sentimentos, coisa, etc. Elá é o meio ideal da comunicação humana. O homem é um ser aberto, orientado para encontrar-se com o mundo é com seus semelhantes. Esta abertura leva à comunicação e a comunicação faz-se principalmente por meio da linguagem." Rampazzo, Lino. Antropologia Religiões e valores cristãos (Paulus, 2014), 40.
"O homem é um ser essencialmente sociável: sozinho não pode vir a este mundo, não pode crescer, não pode educar-se, não podem nem ao menos satisfazer suas necessidades mais elementares, nem realizar suas aspirações mais elevadas; ele poder obter tudo isso apenas em companhia com os outros. Por isso, desde o seu primeiro aparecimento sobre a terra, encontramos o homem sempre colocado em grupos sociais, inicialmente muito pequenos (a família, o clã, a tribo) e depois maiores (a aldeia, a cidade, o estado).
(A sociabilidade)...Hoje ela alcançou um horizonte sem fim; de nacional tornou-se primeiro internacional, depois intercontinental, e agora assumiu proporções planetárias." (Rampazzo, Lino. Antropologia Religiões e valores cristãos (Paulus, 2014), 41.
"O isolacionismo não é possível hoje. Se devemos, de qualquer maneira, sobreviver, sobreviveremos só como membros uns dos outros. A linha entre o privado e o público torna-se cada vez mais confusa. Bem ou mal, a nossa época é aquela do planejamento, da assistência social e, no plano internacional, das organizações multinacionais. A capacidade de o indivíduo agir até pensar, com uma certa independência de seu ambiente social ou contra ele, vai-se reduzindo.
O que observamos no fenómeno da sociabilidade é que ele é inato ao homem, e não uma manifestação casual e passageira. A sociabilidade é a consequências imediata das faculdades mais ligadas ao ser do homem, que são o conhecimento, a linguagem, a corporeidade, o amor e a liberdade." (Rampazzo, Lino. Antropologia Religiões e valores cristãos (Paulus, 2014), 43.
"O que é mais importante o indivíduo ou a sociedade?
De um lado, percebemos que o homem recebe a vida da sociedade, desenvolve seus conhecimentos e suas habilidades com ajuda da sociedade, adquire determinada cultura, certas crenças religiosas, certos princípios morais e critérios estéticos segundo a sociedade à qual pertence. Tudo isso revela uma intrínseca dependência do indivíduo com relação a sociedade.
Mas essa é apenas uma das faces da moeda. Se olharmos para a outra face, parece claro que a sociedade não constitui uma realidade superior aos indivíduos: ela é um organismo essencialmente a serviço dos indivíduos para permiti-lhes realizar plenamente a si mesmos. O indivíduo detém uma primária absoluta confrontando-se com a sociedade: com efeito, antes de a pessoa entrar em contato com os outros, deve primeiro existir.
Porém, como podemos constatar diariamente, a sociabilidade não é uma estrutura automaticamente positiva. Se, por um lado, é elemento essencial do desenvolvimento, da expansão e da formação do homem, por outro, ela pode tornar-se fator decisivo da deformação, constrição, achatamento. Em vez de contribuir para a realização da própria personalidade, pode transformar o homem em um robô que cumpre apenas o que a sociedade prescreve, ou ainda reduzi-lo a um macaco, que imita todos os modos de pensar e de agir dos outros.
Em tal caso, a sociabilidade torna-se um instrumento de massificação.
Em suma, o homem é essencialmente sociável, mas a sociedade deve estar a serviço do homem e não contra ele, contra os valores que significam a sua pessoa." (Rampazzo, Lino. Antropologia Religiões e valores cristãos (Paulus, 2014), 44.
"A esse respeito, não podemos esquecer que muitas vezes, a máquina ou o computador escravizam o homem. O homem passa a a servir a máquina, e não ao contrário. Mas essa é uma negação daquele objetivo do trabalho que procura aperfeiçoar o homem e não diminui-lo." (Rampazzo, Lino. Antropologia Religiões e valores cristãos (Paulus, 2014), 50.
"O jogo é uma atividade típica do homem. Ele se distingue profundamente, essencialmente dos animais não apenas pelo pensamento, pela liberdade, pela linguagem, pelo trabalho, mas também pelo jogo. O homem inventa jogos e se diverte como nenhum animal sabe fazer." (Rampazzo, Lino. Antropologia Religiões e valores cristãos (Paulus, 2014), 50.
"O jogo pertence a uma dimensão humana muito rica que compreende inteligência e vontade, ação e habilidade, mas ao mesmo tempo, implica alegria, satisfação e liberdade. No jogo o homem tenta libertar-se dos vínculos sócias, espaciais e temporais que caracterizam sua vida diária. O jogo é uma antecipação do reino da liberdade e da alegria, da serenidade e da felicidade subjacente aos sonhos de todos os homens." (Rampazzo, Lino. Antropologia Religiões e valores cristãos (Paulus, 2014), 52.
"A raiz da religiosidade é a abertura do homem para o infinito. O homem é um ser insaciável, não havendo realidade concreta fora de Deus que satisfaça seus anseios de infinitude e eternidade. Mas esta vastidão interior do homem pode ser preenchida tanto por fantasmas tenebrosos como por sonhos de felicidade. Esse mundo do mistério é tão grandioso é maravilhoso que se prestou, muitas vezes, a sérias deformações. Mas é graças a ele que a humanidade tem conseguido viver e dar sentido a seus sofrimentos e lutas." (Rampazzo, Lino. Antropologia Religiões e valores cristãos (Paulus, 2014), 53.
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